Cacá Lima
Uma urna para lembrar, dez anos depois, por que escolheram um ao outro
Alguns casais querem levar da cerimônia algo que permaneça além das fotografias e das lembranças daquele dia. Em uma das celebrações que conduzi, os noivos chegaram com esse desejo: queriam guardar alguma coisa daquele m
Alguns casais querem levar da cerimônia algo que permaneça além das fotografias e das lembranças daquele dia. Em uma das celebrações que conduzi, os noivos chegaram com esse desejo: queriam guardar alguma coisa daquele momento que pudesse ser revisitada no futuro e, principalmente, que ajudasse a resgatar os sentimentos que estavam vivendo no dia do casamento. A partir disso, construímos uma espécie de urna do tempo. Mas ela teria uma função um pouco diferente: não serviria apenas para guardar memórias.
Seria também uma forma de lembrar, no futuro, os motivos que fizeram aqueles dois escolherem construir uma vida juntos. Cartas escritas no presente para serem lidas no futuro Antes do casamento, cada um escreveu uma carta para o outro. Essas cartas não seriam lidas durante a cerimônia. Foram escritas para o homem e a mulher que eles encontrariam quando abrissem aquela caixa anos depois. Os padrinhos também participaram. Pedimos que escrevessem mensagens para o casal, deixando ali palavras, desejos e lembranças daquele momento.
Dentro da urna colocamos ainda um vinho, algo que os dois apreciavam e que poderia ser compartilhado quando chegasse o momento de abrir a caixa. Durante a cerimônia, reunimos tudo: as cartas escritas pelos noivos, as mensagens dos padrinhos e o vinho. A urna foi fechada e lacrada com um cadeado diante de todos. Quando aquela urna poderia ser aberta? O casal escolheu dez anos. O compromisso assumido durante a celebração era de que a caixa seria aberta no aniversário de dez anos de casamento. Naquele dia, eles poderiam abrir o vinho e finalmente descobrir o que haviam escrito um para o outro quando estavam começando oficialmente aquela nova etapa da vida.
Mas estabelecemos uma segunda possibilidade. Se antes dos dez anos eles atravessassem uma adversidade importante na relação, poderiam abrir a urna. Nesse caso, as cartas teriam outra função: permitir que os dois voltassem, ainda que por alguns minutos, ao dia em que escolheram se casar. Ali estariam as palavras que escreveram um para o outro, as mensagens das pessoas que testemunharam aquela união e um registro muito particular dos sentimentos que estavam vivendo naquele momento. Uma simbologia precisa ter propósito Essa é uma das razões pelas quais gosto de construir rituais a partir da história e dos desejos de cada casal.
A urna não estava naquela cerimônia simplesmente para produzir um momento bonito. Ela tinha uma finalidade que continuaria existindo depois do casamento. Talvez seja aberta somente no décimo aniversário, como eles planejaram. Talvez tenha sido necessária antes. O mais importante é que, quando aquele cadeado for aberto, eles encontrarão lá dentro uma versão deles mesmos lembrando o que sentiam e por que decidiram estar juntos. Para mim, é justamente aí que uma simbologia ganha força dentro de uma celebração: quando deixa de ser apenas parte da cerimônia e passa a fazer parte da história do casal.
Cada casal tem uma história. E cada história pode encontrar uma maneira diferente de ser celebrada. FALE COMIGO SOBRE A SUA CERIMÔNIA