Cacá Lima
Quando O Pequeno Príncipe se tornou o fio condutor de uma celebração
Uma das coisas que mais gosto no trabalho como celebrante é descobrir algum elemento da história do casal que possa se transformar no fio condutor da cerimônia. Já tive a oportunidade de fazer isso de muitas formas, mas
Uma das coisas que mais gosto no trabalho como celebrante é descobrir algum elemento da história do casal que possa se transformar no fio condutor da cerimônia. Já tive a oportunidade de fazer isso de muitas formas, mas existe uma celebração da qual lembro especialmente. Ela era professora de Literatura e, quando os dois começaram a se conhecer, ele encontrou justamente nos livros uma forma de conquistá-la. Aos poucos, começou a enviar pequenas frases de O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry.
O livro acabou fazendo parte do início da história deles e, anos depois, quando chegou o casamento, percebi que tínhamos ali um elemento muito especial para construir a cerimônia. A história do casal é o ponto de partida Quando preparo uma celebração, não gosto da ideia de partir de um texto pronto e simplesmente adaptar nomes, datas e algumas informações. Primeiro preciso conhecer o casal e entender o que existe naquela história que realmente os representa. Foi exatamente o que aconteceu nesse casamento.
Como O Pequeno Príncipe já fazia parte da relação, construí a celebração utilizando referências ao livro ao longo da narrativa. Não era uma escolha estética e muito menos uma tentativa de encaixar uma obra conhecida dentro do casamento. Aquilo fazia sentido porque pertencia à história dos dois. Essa é, para mim, uma das diferenças entre uma cerimônia apenas bonita e uma cerimônia realmente personalizada: quando os noivos conseguem se reconhecer naquilo que está sendo contado. E a rosa virou parte da cerimônia A partir da presença do livro na história, surgiu também a ideia de criar uma simbologia para aquele momento.
Escolhemos a rosa, um dos elementos mais conhecidos de O Pequeno Príncipe, e durante a cerimônia os dois plantaram juntos uma roseira. O gesto representava algo bastante simples e, ao mesmo tempo, importante para um casamento: assim como uma planta, uma relação precisa ser cuidada para continuar crescendo. Depois da festa, aquela roseira seguiria com eles. Precisaria de água, atenção e cuidado. A simbologia estava justamente aí: o casamento acontece em um dia, mas a relação continua sendo construída depois dele.
Uma cerimônia precisa fazer sentido para quem está vivendo Eu gosto de trabalhar com rituais e elementos simbólicos, mas não acredito que eles devam ser incluídos apenas porque são bonitos ou porque estão sendo utilizados em outros casamentos. Primeiro vem a história. Depois, se fizer sentido, encontramos um símbolo capaz de representá-la. Pode ser um livro, uma música, uma tradição da família, uma experiência vivida pelo casal, uma referência à fé ou até um detalhe aparentemente pequeno que tenha um significado enorme para os dois.
Nesse casamento, foram as frases de O Pequeno Príncipe que me mostraram o caminho. Elas haviam ajudado um homem a conquistar uma professora de Literatura e, anos depois, ajudaram também a contar diante das pessoas que eles amavam um pouco da história que construíram juntos. E uma roseira ficou como lembrança daquele dia e, principalmente, como um convite para que continuassem cultivando o que escolheram construir. Cada casal tem uma história. Minha função como celebrante é descobrir a melhor maneira de contá-la.
FALE COMIGO SOBRE A SUA CERIMÔNIA