Cacá Lima

A cerimônia que me tornou celebrante

Eu já trabalhava há muitos anos com casamentos quando realizei minha primeira celebração. Naquele dia, inclusive, eu não deveria ser a celebrante. Era a cerimonialista e organizadora do casamento.

Eu já trabalhava há muitos anos com casamentos quando realizei minha primeira celebração. Naquele dia, inclusive, eu não deveria ser a celebrante. Era a cerimonialista e organizadora do casamento. Durante a organização, porém, aconteceu um imprevisto: a pessoa que faria a celebração não poderia mais estar presente. O casal precisava encontrar alguém para assumir aquela responsabilidade e decidiu fazer um convite que acabaria abrindo um novo caminho também na minha trajetória profissional. Por conhecerem meu trabalho, minha forma de me comunicar e a maneira como eu conduzia os eventos, perguntaram se eu aceitaria celebrar o casamento.

Eu aceitei. E foi assim, de uma maneira que eu mesma não havia planejado, que conduzi minha primeira cerimônia. Uma história construída com muitas cores Além de contar a história do casal, queríamos incluir na cerimônia alguma simbologia que pudesse permanecer com eles depois daquele dia. Escolhemos então o ritual das areias. Utilizamos areias de diferentes cores, que foram sendo colocadas juntas dentro de um mesmo vaso. Cada uma mantinha sua cor e sua individualidade, mas, quando reunidas, formavam um novo desenho que já não poderia ser reproduzido exatamente da mesma maneira.

Para nós, aquilo representava muito bem o casamento. Uma relação é construída por pessoas diferentes, histórias diferentes, famílias, experiências, sentimentos e fases da vida. Tudo isso passa a compor uma nova história sem que cada pessoa precise deixar de ser quem é. Também trouxemos para aquele vaso os bons desejos das pessoas que estavam presentes e que testemunhavam o início daquela nova família. Ao final, o casal teria em casa um objeto criado durante a própria cerimônia. Sempre que olhassem para aquelas diferentes camadas de cores, poderiam lembrar de tudo aquilo que ajudou a construir aquele momento.

Mas aquela cerimônia ainda guardava uma surpresa que nem eu poderia ter imaginado quando comecei a organizá-la. Dez dias antes do casamento, uma notícia mudou tudo Poucos dias antes da cerimônia, a noiva descobriu que estava grávida. E decidiu que queria contar ao noivo de uma maneira muito especial. Escolhemos o momento dos votos. Em meio a tudo aquilo que os dois tinham preparado para dizer um ao outro, ela revelou que aquela família que estávamos celebrando já estava crescendo. O noivo descobriu, diante das pessoas que amavam os dois, que seria pai.

Naturalmente, toda a cerimônia ganhou uma emoção ainda maior. Não era algo ensaiado para provocar uma reação. Era a vida acontecendo dentro da própria celebração. Meu primeiro casamento como celebrante Tenho um carinho muito especial por essa história porque foi a primeira cerimônia que conduzi e porque, a partir daquele casamento, construí uma relação de amizade e carinho que ultrapassou por muitos anos a relação entre cliente e profissional. Entrei naquele casamento como organizadora e cerimonialista.

Um imprevisto fez com que eles confiassem a mim também a responsabilidade de contar sua história e conduzir um dos momentos mais importantes daquele dia. Eu ainda não sabia que aquela experiência abriria uma nova frente na minha trajetória profissional. Hoje, olhando para tudo o que veio depois, percebo que muitas características que já faziam parte do meu trabalho estavam ali: a comunicação, a capacidade de condução, a experiência com eventos, a atenção às pessoas e, principalmente, o interesse pelas histórias que existem por trás de cada casamento.

Talvez por isso aquela primeira cerimônia tenha sido tão especial. O que começou como uma solução para um imprevisto acabou me apresentando a um trabalho que eu descobriria que sabia e gostava muito de fazer. E, entre as muitas cerimônias que vieram depois, essa continua ocupando um lugar muito particular na minha história. Cada casal tem uma história. E cada história pode encontrar uma maneira diferente de ser celebrada. FALE COMIGO SOBRE A SUA CERIMÔNIA